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Luís Represas morreu esta quarta-feira, 22 de julho, aos 69 anos, vítima de doença prolongada. A morte do cantor e compositor foi confirmada pela agência Sons em Trânsito, que representava o artista.
Fundador e vocalista dos Trovante, Luís Represas construiu depois uma extensa carreira a solo, marcada por canções como “Feiticeira”, “Neva Sobre a Marginal”, “Fora de Tempo” e “Da Próxima Vez”.
Luís Represas assinalava em 2026 meio século de atividade artística, dividido entre o percurso nos Trovante e a carreira a solo.
Em março, tinha voltado a atuar com a banda em concertos esgotados na MEO Arena, em Lisboa, e no Pavilhão Rosa Mota, no Porto.
Estavam ainda anunciados dois espetáculos para abril de 2027, no Coliseu dos Recreios e no Coliseu do Porto, destinados a revisitar cinco décadas de música.
Nascido em Lisboa, em 1956, Luís Represas fundou os Trovante no verão de 1976, pouco antes de completar 20 anos, juntamente com João Gil, Manuel Faria, Artur Costa e o irmão, João Represas.
O primeiro álbum, Chão Nosso, foi editado em 1977 e apresentou uma sonoridade influenciada pela música popular e tradicional portuguesa, cruzada com elementos de rock.
O grupo permaneceu ativo até ao início da década de 1990 e tornou-se uma referência da música portuguesa do período posterior ao 25 de Abril. Entre os temas mais conhecidos dos Trovante encontram-se “Perdidamente”, “Timor”, “Saudade” e “125 Azul”.
Depois da separação, a banda voltou a reunir-se em diferentes ocasiões, incluindo concertos realizados em 1999, 2006 e 2017.
Após o fim dos Trovante, Luís Represas iniciou a carreira a solo com o álbum Represas, lançado em 1993 e gravado em Cuba.
O disco contou com a colaboração de músicos locais, incluindo Pablo Milanés, e apresentou temas como “Feiticeira” e “Neva Sobre a Marginal”.
Seguiram-se trabalhos como Cumplicidades, com Bernardo Sassetti, A Hora do Lobo, Código Verde, Fora de Mão, Olhos nos Olhos, Cores, Boa Hora e Miragem, editado em 2024.
O músico voltou também a trabalhar com João Gil no álbum conjunto lançado em 2011.
Ao longo da carreira, Luís Represas colaborou com artistas como José Afonso, Fausto Bordalo Dias, Carlos do Carmo, Jorge Palma, Bernardo Sassetti, Pablo Milanés, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Gilberto Gil, Carlinhos Brown e Compay Segundo.
O seu trabalho esteve igualmente ligado à defesa da causa timorense. Por esse envolvimento, recebeu a Medalha da Ordem de Timor-Leste, atribuída pelo então Presidente Taur Matan Ruak.
Em 2005, foi distinguido pelo Estado português com o grau de Comendador da Ordem do Mérito.
Em 2019, Luís Represas recebeu o Prémio Pedro Osório, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, pelo álbum Boa Hora.
O galardão reconheceu simultaneamente a qualidade do disco e o percurso global do cantor e compositor.
O artista explorou também outras áreas criativas. Em 2010, publicou o livro infantil A Coragem de Tição, integrado no Plano Nacional de Leitura, e apresentava atualmente o programa televisivo Língua Mãe.
Não foram ainda divulgadas informações sobre as cerimónias fúnebres.
Escrito por P.Cordeiro
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