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Groove O'Clock #015 DJ Matthews
Quem nunca passou o dia a cantarolar um refrão sem fim — mesmo sem querer? Pode não ser a sua música preferida, pode até achá-la irritante, mas há uma explicação científica para isso.
Os especialistas chamam-lhe “earworm” — literalmente, verme de ouvido. O termo descreve aquela melodia cativante que se repete involuntariamente na mente, um fenómeno cognitivo tão comum quanto misterioso.
Segundo os investigadores Killingly e Lacherez, autores do estudo “A música que nunca termina: o efeito da exposição repetida no desenvolvimento de um verme de ouvido”, trata-se de uma reação natural do cérebro à exposição repetida a certos estímulos sonoros.
Já o investigador Emery Schubert, citado pelo Science Alert, explica que o fenómeno é conhecido cientificamente como “imagens musicais involuntárias” — fragmentos de melodias ou jingles que o cérebro reproduz sozinho, sem necessidade de estímulo externo.
Para uma canção se tornar um “earworm”, costuma obedecer a características específicas: refrões curtos, simples e repetitivos, fáceis de memorizar — como o infame “Baby Shark”.
De acordo com o modelo de memória humana de Atkinson e Shiffrin (1968), músicas pouco complexas e com padrões previsíveis ficam presas na memória de curto prazo, uma espécie de “gaveta mental” onde o cérebro repete a melodia para não a esquecer.
Além disso, a exposição constante é um fator determinante. Quando uma música está em todo o lado — rádios, redes sociais, anúncios — o cérebro cria uma sensação de familiaridade e recompensa cada vez que a reconhece, reforçando o ciclo.
O ambiente e os hábitos também têm influência. Se ouvirmos sempre as mesmas músicas em determinadas situações (no carro, no ginásio, a cozinhar), o cérebro pode reproduzi-las automaticamente sempre que o contexto se repete.
Ainda não há uma cura infalível, mas há uma estratégia curiosa: segundo Emery Schubert, cantar a música em voz alta pode ajudar a “desativar” o ciclo mental. Ao envolver o corpo e a interação social, o cérebro sai do modo automático — mesmo que isso implique algum embaraço momentâneo.
Em suma, da próxima vez que não conseguir tirar uma música da cabeça, lembre-se: não é falta de gosto — é apenas o seu cérebro a fazer replay.
Escrito por P.Cordeiro
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