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Eurovisão impede países em guerra de receber o festival

today13/08/2026

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A União Europeia de Radiodifusão alterou as regras da Eurovisão para impedir que a emissora vencedora organize o concurso quando um conflito armado ou uma situação geopolítica comprometer a segurança do país ou da região envolvente. A medida entra em vigor na edição de 2027 e não impede esses países de participar.

Segurança passa a condicionar escolha do país anfitrião

A Eurovisão é tradicionalmente realizada no país vencedor da edição anterior. A partir de 2027, essa possibilidade ficará automaticamente comprometida quando um conflito, uma crise geopolítica ou outra circunstância afetar significativamente a segurança, a estabilidade ou a realização do evento.

Em situações que suscitem dúvidas, a União Europeia de Radiodifusão poderá solicitar uma avaliação independente das condições existentes. A decisão final será tomada após consulta ao Grupo de Referência, órgão responsável pela supervisão do concurso.

As regras admitem que a emissora vencedora mantenha o direito de organizar o festival caso existam garantias suficientes de segurança. Se isso não acontecer, será escolhida outra estação participante para acolher e produzir a edição seguinte em nome próprio.

A alteração aplica-se apenas à organização do espetáculo. Não interfere na participação do país, na votação ou no resultado obtido no concurso.

Nova regra surge após polémica sobre Israel

A organização não relacionou oficialmente a mudança com um país específico. No entanto, a imprensa internacional interpreta a revisão como uma resposta ao debate provocado pela continuidade de Israel na Eurovisão, num contexto marcado pela guerra em Gaza e por outras tensões no Médio Oriente.

Espanha, Irlanda, Países Baixos, Islândia e Eslovénia boicotaram a edição de 2026 depois de uma tentativa falhada de afastar Israel da competição.

Apesar da contestação, o representante israelita Noam Bettan terminou no segundo lugar com “Michelle”. A vitória pertenceu à cantora DARA, da Bulgária, com “Bangaranga”, garantindo ao país a organização da Eurovisão 2027.

Existe já um precedente relacionado com segurança. Depois da vitória da Ucrânia em 2022, a invasão russa impossibilitou a realização do concurso no país. A edição de 2023 decorreu em Liverpool, no Reino Unido, com a BBC a organizar o evento em representação da emissora ucraniana.

Eurovisão aumenta idade mínima para 18 anos

A revisão das regras introduz ainda outras alterações. A partir de 2027, os concorrentes terão de ter pelo menos 18 anos no dia do primeiro ensaio. Até agora, a idade mínima era de 16 anos.

A organização esclareceu também as normas relativas às atuações. A voz principal e a melodia da canção terão obrigatoriamente de ser interpretadas ao vivo. Continuam a ser permitidos elementos pré-gravados, desde que não substituam nem apoiem de forma excessiva a prestação vocal do artista.

Segundo a Eurovisão, as mudanças procuram proteger os participantes, reforçar a transparência e assegurar condições adequadas para a realização do festival.

Escrito por P.Cordeiro


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