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Academy of Motion Picture Arts and Sciences muda regras dos Óscares: IA excluída e filmes internacionais com novo acesso

today04/05/2026

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A Academy of Motion Picture Arts and Sciences anunciou alterações significativas às regras dos Óscares, que entram em vigor já na 99.ª edição da cerimónia, marcada para 14 de março de 2027.

Entre as principais mudanças está a exclusão de conteúdos gerados por Inteligência Artificial (IA) nas categorias de interpretação e argumento, numa decisão que marca um ponto de viragem na indústria cinematográfica.

IA fora das categorias principais

De acordo com o novo regulamento, apenas atores humanos, com interpretações comprovadas e consentidas, poderão ser elegíveis para nomeação.

Além disso, os argumentos terão obrigatoriamente de ser escritos por humanos, afastando a possibilidade de obras geradas por IA concorrerem aos prémios.

A decisão surge poucos dias após a divulgação de um projeto que recria digitalmente o ator Val Kilmer, falecido em 2025, através de tecnologia de IA.

Atores podem ter múltiplas nomeações

Outra alteração relevante permite que um ator possa ser nomeado mais do que uma vez na mesma categoria, caso tenha várias interpretações entre as mais votadas.

Até agora, apenas a performance com maior número de votos era considerada, mesmo que o ator tivesse outras interpretações elegíveis.

A mudança aproxima os Óscares de outras cerimónias e alinha as categorias de interpretação com regras já aplicadas noutras áreas.

Novas regras para Melhor Filme Internacional

A categoria de Melhor Filme Internacional sofre também alterações profundas.

Além da tradicional candidatura feita por cada país, passam a ser automaticamente elegíveis filmes que conquistem o prémio principal em festivais como:

  • Festival de Cannes (Palma de Ouro)
  • Festival Internacional de Cinema de Berlim (Urso de Ouro)
  • Festival de Veneza (Leão de Ouro)
  • Festival de Sundance (Grande Prémio do Júri World Cinema)
  • Festival Internacional de Cinema de Toronto (Prémio Platform)
  • Festival Internacional de Cinema de Busan (Melhor Filme)

Mudança responde a polémicas recentes

Estas alterações surgem após críticas à exclusão de filmes premiados internacionalmente, como Anatomy of a Fall, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, que não foi escolhido como representante francês.

Também casos de realizadores dissidentes, como Jafar Panahi, têm alimentado o debate sobre a dependência das escolhas nacionais.

Com as novas regras, os filmes passam a ser nomeados pelo seu título e não pelo país, sendo o realizador a receber o Óscar em representação da equipa.

Uma mudança estrutural na indústria

As novas diretrizes refletem a necessidade de adaptação da indústria cinematográfica a desafios contemporâneos, nomeadamente o avanço da tecnologia e a crescente globalização do cinema.

Ao mesmo tempo, reforçam o papel dos Óscares enquanto referência internacional, ajustando critérios de elegibilidade a uma realidade em transformação.

Escrito por P.Cordeiro


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