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O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, defendeu esta segunda-feira, 19 de maio, que Israel deve ser excluído do Festival Eurovisão da Canção e de outras competições internacionais, tal como aconteceu com a Rússia após a invasão da Ucrânia, em 2022.
“No caso da Rússia, ninguém se escandalizou quando foi retirada de competições desportivas e culturais como a Eurovisão. Também Israel não deveria estar presente”, afirmou Sánchez durante um evento em Madrid, sublinhando que “não podemos permitir duplos standards, nem sequer na cultura”.
O chefe do Governo espanhol reforçou a sua solidariedade para com os povos ucraniano e palestiniano, afirmando que ambos “vivem a irracionalidade da guerra e dos bombardeamentos”.
A declaração surge após a atuação de Israel na final da Eurovisão 2025, realizada em Basileia, na Suíça, no passado sábado, onde a representante Yuval Raphael conquistou o segundo lugar com a canção “New Day Will Rise”. A artista recebeu 357 pontos, grande parte deles atribuídos pelo televoto — incluindo os 12 pontos máximos de Espanha, algo que gerou polémica.
RTVE quer auditoria ao televoto
Em resposta à atribuição dos 12 pontos do televoto espanhol a Israel, a emissora pública RTVE (Rádio e Televisão Espanhola) anunciou que irá solicitar uma auditoria independente aos resultados. O júri espanhol não atribuiu qualquer ponto à canção israelita, aumentando as dúvidas sobre a discrepância entre os votos do público e da crítica especializada.
Segundo a RTVE, durante a final foram registados 142.688 votos provenientes de chamadas telefónicas, SMS e votações online. A estação considera que os dados fornecidos pela organização da Eurovisão são insuficientes e irá avançar com um pedido formal à União Europeia de Radiodifusão (UER). De acordo com o jornal El País, outros países ponderam seguir o mesmo caminho.
Controvérsia marca Eurovisão 2025
A participação de Israel voltou a ser alvo de contestação ao longo de toda a edição deste ano. Além das vaias durante as atuações, a própria RTVE e várias figuras públicas manifestaram-se contra a presença do país no concurso, devido à guerra em curso na Faixa de Gaza.
O presidente da estação pública espanhola pediu “paz e justiça para a Palestina” antes da final, reforçando que “o silêncio não é uma opção”. Já a UER advertiu a RTVE que poderia ser penalizada caso voltasse a referir os números de vítimas do conflito durante a transmissão.

A guerra em Gaza foi desencadeada após o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, que provocou cerca de 1.200 mortos e 250 raptos. A resposta militar de Israel já causou, segundo dados das autoridades de Gaza, mais de 53.000 mortos, incluindo mais de 15.000 crianças — números considerados credíveis pela ONU.
Enquanto cresce o apelo à exclusão de Israel de futuras edições do concurso, a UER ainda não se pronunciou oficialmente sobre o tema.
Escrito por P.Cordeiro
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