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SERTÃ debateu violência, silêncio e infâncias apressadas

today20/11/2025

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As II Jornadas da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) da Sertã decorreram ontem na Casa da Cultura da Sertã, sob o tema “Do Silêncio à Ação: Relações que marcam”, colocando em destaque questões urgentes como a violência no namoro, a violência sexual, a sobrecarga das agendas infantis e a crescente adultização das crianças.

Na abertura dos trabalhos, foi sublinhada por Carlos Miranda, presidente da Câmara Municipal da Sertã, a relevância das temáticas em debate. O autarca alertou para sinais de regressão social e para a forma como determinados conteúdos dirigidos aos jovens — incluindo música — apresentam hoje um teor mais pobre e, por vezes, machista e misógino.

II Jornadas CPCJ Sertã, Carlos Miranda
Carlos Miranda, Presidente da Câmara Municipal da Sertã (Créditos: Câmara Municipal da Sertã)

A reflexão sobre o silêncio marcou igualmente a sessão. Maria João Fernandes, vice-presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), destacou o seu duplo significado: apesar de poder ser protetor, o silêncio tende, na maioria dos casos, a perpetuar ciclos de violência e a funcionar como aliado do agressor.

II Jornadas CPCJ Sertã
Maria João Fernandes, vice-presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (Créditos: Câmara Municipal da Sertã)

Durante a manhã, os painéis centraram-se na relação entre violência e silêncio. Elizabete Brasil (CICS.NOVA) apresentou o tema “Violência no namoro: entre o afeto e a agressão”, revelando dados preocupantes — como o facto de 87,5% das vítimas serem mulheres — e identificando sinais de relações abusivas e caminhos de libertação.

II Jornadas CPCJ Sertã
Elizabete Brasil (CICS.NOVA) / (Créditos: Câmara Municipal da Sertã)

Seguiu-se a intervenção de Joana Alexandre (ISCTE) e de Maria João Fernandes (CNPDPCJ), dedicada ao tema “Abusos sexuais: da prevenção à ação”, onde foi reforçado que, ao contrário do que se acredita, a maioria dos abusos não envolve estranhos, mas ocorre dentro de casa, no seio de relações familiares ou próximas.

II Jornadas CPCJ Sertã
Joana Alexandre (ISCTE) / (Créditos: Câmara Municipal da Sertã)

O período da tarde abriu com a comunicação de Natália Fernandes (Universidade do Minho), “Direito a brincar: crianças sobrecarregadas, infâncias apressadas”. A investigadora destacou como o ato de brincar, cada vez mais restringido e controlado, influencia negativamente o desenvolvimento infantil. Chamou ainda a atenção para conteúdos digitais onde crianças surgem a discutir temas não adequados, como dietas ou maquilhagem.

II Jornadas CPCJ Sertã
Natália Fernandes (Universidade do Minho) / (Créditos: Câmara Municipal da Sertã)

O último painel, “Adultos antes da hora: os impactos da adultização precoce”, partiu do vídeo “Adultification”, do youtuber Felipe Pereira (Felca), que expõe casos reais de crianças transformadas em “estrelas” das redes sociais e sujeitas a exploração e sexualização para criação de conteúdos destinados a adultos.

No encerramento, foi reforçada pela presidente da CPCJ Sertã, Maria João Ribeiro, a urgência de reforçar a intervenção, sensibilização e consciencialização de crianças, jovens, pais e encarregados de educação. As relações, recordou, podem ensinar confiança e afeto, mas também medo, insegurança e violência, deixando marcas duradouras no percurso das vítimas.

II Jornadas CPCJ Sertã
Maria João Ribeiro, presidente da CPCJ Sertã (Créditos: Câmara Municipal da Sertã)

A iniciativa integrou momentos musicais, com a atuação do Grupo Folclórico da APPACDM da Zona do Pinhal na abertura e do Polo Artístico da Sertã do Conservatório de Música de Coimbra no encerramento. As jornadas foram dinamizadas pela CPCJ Sertã e contaram com o apoio do Município da Sertã.

Veja a galeria de fotos.

(Fonte: Nota de Imprensa da Câmara Municipal da Sertã)

Escrito por Cordeiro


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