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O Município de Oleiros emitiu parecer desfavorável à proposta do Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis, atualmente em consulta pública. A autarquia considera que o documento não protege de forma adequada os valores naturais, sociais e económicos do concelho.
A posição não traduz uma oposição à transição energética, mas sim à forma como as áreas foram delimitadas e ao impacto que poderão ter no território.
Segundo o Município, as zonas previstas no programa ocupam mais de 35% da área do concelho de Oleiros.
A proposta inclui espaços próximos de habitações, captações e infraestruturas de abastecimento público de água, além de áreas florestais com elevado valor ecológico, património natural e zonas com forte vocação turística.
A autarquia entende que esta abrangência poderá afetar de forma significativa a paisagem, a floresta, os recursos naturais e o modelo de desenvolvimento local.
A análise municipal concluiu que persistem insuficiências técnicas, metodológicas e territoriais na proposta.
Entre as medidas defendidas pelo Município estão a redução substancial da área prevista para Oleiros, a exclusão das zonas ambiental e paisagisticamente mais sensíveis e a validação da cartografia à escala municipal.
A Câmara Municipal propõe ainda a criação de limites máximos de ocupação por concelho e uma articulação mais eficaz com os instrumentos municipais de gestão territorial.
O Município defende que os novos projetos de energias renováveis devem ser instalados, prioritariamente, em zonas já artificializadas, industriais, degradadas ou anteriormente intervencionadas.
A autarquia considera que esta solução permitiria reduzir a pressão sobre os espaços naturais e evitar a concentração de grandes infraestruturas em áreas sensíveis.
Na posição remetida no âmbito da consulta pública, o Município aponta as Comunidades de Energia Renovável e o reforço do autoconsumo como alternativas capazes de gerar benefícios mais diretos para as populações.
A autarquia defende uma transição energética mais equilibrada e descentralizada, evitando projetos de grande dimensão que possam alterar a identidade do território.
O presidente da Câmara Municipal de Oleiros, Miguel Marques, sublinha que o parecer desfavorável não representa uma rejeição das energias renováveis.
Segundo o autarca, a implementação destes projetos deve ser compatível com a proteção dos recursos naturais, da floresta, da paisagem, do património e da qualidade de vida das populações.

(Fonte: Nota de Imprensa do Município de Oleiros)
Escrito por P.Cordeiro
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