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Sam Feldt - Heartfeldt Radio #531
A participação de Espanha na Eurovisão 2026 está em dúvida. O país, um dos cinco que integram o grupo BIG5, poderá abdicar da sua presença no certame devido à manutenção de Israel na competição, mesmo em contexto de guerra na Faixa de Gaza.
A polémica surge porque, em 2022, a Rússia foi afastada do festival após a invasão da Ucrânia. A decisão foi tomada pela EBU (European Broadcasting Union), que considerou que a permanência russa seria incompatível com os valores do concurso.
Contudo, perante a atual situação em Gaza, a EBU decidiu manter Israel em prova. Esta decisão está a gerar contestação em vários países, com Espanha a admitir não participar na edição de 2026 se não houver uma mudança de posição.
A EBU tem defendido a permanência de Israel com base em três argumentos principais:
A Eurovisão é uma competição entre estações de radiodifusão públicas, membros da EBU, e não entre governos.
A televisão pública israelita KAN cumpre todos os requisitos técnicos e estatutários para participar.
O concurso deve manter a sua neutralidade política, evitando exclusões motivadas por decisões governamentais.
Em 2024, chegou a ser exigida a alteração da canção inicialmente apresentada por Israel (October Rain), que continha referências ao conflito. Após revisão e adaptação para Hurricane, o tema foi aceite, em conformidade com as regras do festival.
São muitos os cenários que se podem traçar com a saída de Espanha do festival, mas estes seriam os que teriam um impacto mais imediato:
O BIG5 ficaria reduzido a quatro países (Alemanha, França, Itália e Reino Unido).
O festival perderia uma parte importante do seu financiamento, já que o estatuto de BIG5 está ligado ao peso económico das televisões que mais contribuem para a EBU.
Poderia ser necessário rever o modelo de acesso direto à final, substituindo a Espanha por outro país ou até repensando o sistema no seu todo.
Além da questão financeira, a ausência espanhola teria também um impacto cultural. A Espanha participa no concurso desde 1961 e soma duas vitórias: em 1968, com La, La, La de Massiel, e em 1969, com Vivo cantando de Salomé.
A Eurovisão sempre se apresentou como um evento musical apolítico, mas ao longo da sua história não tem escapado a contextos de grande tensão internacional. A eventual saída da Espanha em 2026 mostra como o certame continua a ser um palco onde se cruzam a música, a política e a ética.
Para já, a incógnita mantém-se: Espanha vai mesmo avançar para o boicote ou a EBU encontrará uma solução de compromisso?
Escrito por P.Cordeiro
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